60% do risco está em app que o financeiro e o marketing criaram sozinhos
Um levantamento de segurança mostra quem está programando dentro das empresas. Quase nunca é o time de tecnologia.

O que a Pluto Security encontrou nos clientes
A Pluto Security levantou US$ 42 milhões e vende monitoramento do que os funcionários fazem com ferramentas de IA. Em reportagem da TechCrunch, o CEO da empresa deu um número que merece atenção. Cerca de 60% dos riscos que a Pluto detecta nos clientes estão em aplicativos criados por vibe coding, e criados por quem não é desenvolvedor.
A ordem das áreas também chama atenção. O financeiro é a maior fonte, seguido por marketing e jurídico. Os desenvolvedores aparecem em quarto lugar.
O exemplo citado: um app feito por uma pessoa do financeiro de uma empresa da Fortune 500, usado para controlar dados de clientes e churn, ficou exposto na internet. Ninguém decidiu expor. Ninguém sabia que estava exposto.
São números da própria empresa de segurança, que vende a solução. Vale ler como sinal de direção, não como medição neutra.
Quem criou o app não vai ser quem conserta
A tese da casa é simples. Quem não vai manter o código não deveria estar escrevendo o código.
O app do financeiro funcionou no dia em que foi criado. Esse é o ponto que engana. O problema aparece depois: quando a planilha de origem muda de formato, quando a pessoa sai de férias, quando alguém precisa saber onde ficam os dados dos clientes, quando a ferramenta de IA que gerou o código muda de versão.
Código tem dono ou vira passivo. Em time de produto, o dono é conhecido. Em área de negócio, o dono é a pessoa que teve a ideia numa terça à tarde, e que tem outra função de verdade.
O mesmo padrão aparece no lado de quem vende a ferramenta
Outra reportagem da TechCrunch, sobre o ChatGPT Work da OpenAI, mostra o movimento por dentro de um fornecedor. A ferramenta é uma versão do Codex adaptada para profissionais que não são engenheiros. A OpenAI diz que áreas como comunicação e finanças começaram a usar o Codex quando ele ainda era difícil para elas, e que foi preciso torná-lo mais geral.
O próprio repórter relata que a configuração de permissões foi confusa. O acesso somente leitura falhou e só o acesso total funcionou. Ele também estimou ter gastado cerca de US$ 65 em quatro dias de uso pesado, mais de três vezes o preço da assinatura de US$ 20, e a ferramenta não tem painel de consumo. A própria OpenAI reconheceu que o agente pode puxar informação privada para documentos que não têm relação com ela.
Resumindo: a ferramenta pede acesso total, não mostra o custo e pode misturar dados. Entregar isso a uma pessoa do financeiro sem regra nenhuma é exatamente o cenário que a Pluto descreve.
O que muda no concreto numa operação pequena
Numa operação sem departamento de TI, esse risco é maior, porque ninguém faz a revisão. Três decisões ficam com o dono.
1. Separar protótipo de sistema. Um app que só a pessoa usa, com dados dela, é protótipo. Um app que o time inteiro usa ou que toca dado de cliente é sistema. Sistema precisa de dono nomeado, lista de onde os dados ficam e alguém que saiba desligar.
2. Proibir o que toca dado de cliente sem revisão. Financeiro, marketing e jurídico são as áreas que mais lidam com dado sensível. São também as que mais criam app. A regra mínima: nada que guarde cadastro, contrato ou cobrança vai ao ar sem outra pessoa olhar.
3. Perguntar quem mantém antes de aprovar. Se a resposta for "eu mesmo", pergunte o que acontece quando essa pessoa sair. Se não houver resposta, o app fica como rascunho.
Não é um argumento contra usar IA para criar ferramentas. Automação interna bem feita economiza horas por semana. O argumento é contra o app sem dono. O ganho existe, e o custo escondido também.
Onde a consultoria entra
O trabalho de IA aplicada a processo começa antes do código. Primeiro se mapeia o processo, depois se decide o que pode ser automatizado e por quem será mantido. Quem constrói e quem mantém precisam ser a mesma conversa.
Fontes
Perguntas frequentes
É criar software descrevendo o que se quer em linguagem natural para uma ferramenta de IA, que escreve o código. Quem pede nem sempre entende o que foi gerado.
São dados da própria empresa, que vende segurança para esse problema, e não foram verificados de forma independente. Servem como sinal de direção.
Não. O ponto é distinguir protótipo pessoal de sistema usado pelo time, e exigir dono e revisão para tudo que toca dado de cliente.
Alguém nomeado, com tempo reservado para isso. Se ninguém assume, o app deve ficar como rascunho e não entrar em produção.
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Founder & CEO da AI Start
Fundador e CEO da AI Start, aceleradora de eficiência operacional. Criador do método Growth Tech, que prepara a base operacional de empresas antes de implementar inteligência artificial.